terça-feira, 29 de julho de 2014

PEDAGOGIA CRÍTICO EMANCIPATÓRIA


A Educação Física, juntamente com seus conteúdos, busca fazer com que os alunos reflitam de forma crítica sobre suas vivências corporais. Devemos pressupor que a educação é sempre um processo onde se desenvolvem ações comunicativas. Dentro da concepção pedagogia Crítico-Emancipátoria, segundo Kunz (2010), a atuação do professor de educação física deve-se preocupar para uma ação solidária e cooperativa, onde os alunos tenham compreensão dos diferentes papéis sociais que o esporte assume, fazendo com que os alunos sejam preparados para assumir estes papéis e entender os outros em papéis diferentes.
Com isso a pedagogia Crítico Emancipatória favorece o processo de aprendizagem dos alunos, principalmente no aspecto do diálogo entre professor/aluno e aluno/aluno, pois esta concepção valoriza nas interlocuções, ou seja, nas aulas, as competências: objetiva, social e comunicativa, favorecendo uma maior autonomia dos alunos.
Na Competência Objetiva os alunos precisam receber conhecimentos específicos do saber humano, em especial da cultura do movimento, para agir com autonomia frente aos problemas emergenciais. (KUNZ, 2005). Para tanto, cabe ao professor criar situações-problemas, onde os alunos sejam desafiados, a fim de, conhecer suas possibilidades e desenvolver suas potencialidades, sem necessariamente fazer uso de uma técnica especifica.  A abordagem Crítico-Emancipatória sugere uma educação emancipadora, ponderada para a cidadania e distante da mera instrumentalização técnica para o trabalho. (KUNZ, 2010).
Na Competência Social os alunos devem superar os problemas e conflitos do contexto em que estão inseridos, contribuindo para um agir solidário e cooperativo nas relações entre colegas e professores. (KUNZ, 2005). A interação social acontece em toda ação coletiva de ensinar e aprender, onde cabe ao educador trabalhar de forma crítica, valorizando a coletividade, cooperação e participação dos alunos. (KUNZ, 2010). No caso específico do esporte, deve atuar no sentido de combater diferenças e discriminações, por exemplo, futsal é para homens e voleibol é para mulheres, reflexo de nossa histórica e presente sociedade machista, enfim, deverá contribuir para um agir solidário e cooperativo.
Já na Competência Comunicativa os alunos devem se comunicar e entender os outros, por meio da reflexão crítica, através das linguagens corporais. (KUNZ, 2005). Logo, a linguagem é essencial para se constituir uma relação dialógica com os alunos, onde os mesmos se sintam sujeitos participativos. “É no próprio exercício da palavra que se aprende a compreender”. (KUNZ, 2006, p. 41). Assim, a linguagem no esporte não é apenas a linguagem que se expressa pelo se movimentar dos participantes, mas o próprio falar sobre as experiências e os entendimentos do mundo dos esportes.  Enfim, através da comunicação oportunizar ao aluno, a ler, interpretar e criticar o fenômeno sociocultural do esporte.
Porém, analisando as interlocuções pautadas na abordagem de Ensino Crítico-Emancipatória, possibilitará ao professor identificar e empregar durante todo o processo as competências: objetiva, social e comunicativa, nas quais não são desenvolvidas de forma fragmentada, ou seja, uma a uma de cada vez, mas sim de forma espiralada, onde serão vividas durante todas as interlocuções, ampliando novas ações, assim como a cultura de movimento, a interação e as linguagens, transformando a cultura de movimento dos alunos.


REFERÊNCIAS
                                                                                 

KUNZ, Elenor. Pedagogia Crítico-Emancipatória. In: GONZÁLEZ, Fernando Jaime; FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. (Orgs). Dicionário critico de Educação Física. Ijuí: Ed. Unijuí, 2005. p. 316-318.

KUNZ, Elenor. Transformação Didático- Pedagógico do Esporte. Ijuí: Editora da Unujuí, 2010.

KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. 7. ed. Ijuí: Unijuí, 2006.


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